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MEDICAR OU NÃO MEDICAR, EIS A QUESTÃO SECUNDÁRIA

MEDICAR OU NÃO MEDICAR, EIS A QUESTÃO SECUNDÁRIA
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MEDICAR OU NÃO MEDICAR, EIS A QUESTÃO SECUNDÁRIA

A principal missão do médico não é medicar, é diagnosticar.

Medicar ou não medicar, eis a questão secundária. Diagnose é conhecer “através de”. 

O diagnóstico médico é uma arte de associar sinais e sintomas e compará-los com a fisiologia e a fisiopatologia, no caso dos sinais e sintomas físicos ou com a psicologia e a psicopatologia, no caso dos sintomas psíquicos.

Sinais são as categorias que se apresentam espontaneamente e são observadas pelo médico, como por exemplo, um rubor facial (sinal físico) ou uma agitação num idoso (sinal psíquico).

O Sintoma  é referido pelo paciente, como algo desagradável, como febre, dor (físicos), tristeza, medo (psíquicos).

Não importa saber quais são os sinais e sintomas se não se conhece a fisiologia e a fisiopatologia. Por exemplo, que importa saber que uma pessoa está com uma lesão na pele que é insensível à dor, se ela não conhece a fisiopatologia das doenças que produzem lesão nos nervos sensitivos periféricos? E para que servirá saber se está com febre, se não se conhece a fisiopatologia dos processos infecciosos,  se são próprios de germes gram positivos ou gram negativos?

Da mesma forma, de que vale saber se a ansiedade ocorre subitamente, se não se conhece a psicopatologia dos transtornos fóbico-ansiosos? Ou o que fazer com a informação de que a criança foi molestada sexualmente, se não se conhece a psicopatologia dos transtornos de estresse por trauma agudo?

Médico é aquele que vê, observa, compara com o seu conhecimento de fisiologia e fisiopatologia (ou psicologia e psicopatologia), reconstrói os sinais e sintomas obtidos de modo esparso e aparentemente incoerentes, e atribui valor a eles, valorizando-os na medida para encontrar o diagnóstico.

Não há medicina sem diagnóstico.

Medicar ou não medicar

Diagnóstico é conhecer através de que?

  1. Do conhecimento do ser humano em todas as suas dimensões: anatômica, fisiológica, eletroquímica, psicológica, social, cultural e até espiritual.
  2. Do conhecimento das entidades clínicas e psíquicas, sua evolução, seus caminhos, sua tendência à resolutividade, sua predisposição crônica.
  3. Do conhecimento das circunstâncias nas quais o indivíduo que sofre está inserido, que se constitui no diagnóstico  epidemiológico.

Quando  um curioso opina sobre o tratamento de alguém que sofre, certamente ele não é capaz de fazer um diagnóstico. “Eu acho” não nos serve de nada!

Se alguém me pergunta: “O que você acha do cálculo estrutural que o engenheiro fez para esse prédio”? O que eu posso responder? Nada, não acho nada.

O que a sua vizinha pode achar do seu filho com febre? Nada, não dever “achar” nada, por que não conhece fisiologia e muito menos fisiopatologia.

O que sua amiga íntima acha de seus pensamentos intrusivos e obsessivos? Nada, não deve “achar” nada, por que não conhece a psicologia e muito menos a psicopatologia.

Medicar é o último ato. Não se medica sem diagnóstico.

Por favor, acreditem, não usem nenhum medicamento indicado por alguém que não sabe fazer diagnóstico e não está autorizado por lei a indica-lo.

Medicar ou não medicar, essa é a questão secundária.

Diagnosticar ou não diagnosticar, essa é a questão primordial.

[1]Flávio Mussa Tavares, CRM 52 39997-4. Médico Psiquiatra formado pela UFRJ em 1982, Título de Especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria.

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